The life and photos of Ricardo Jorge Carvalho

aqueles 3 meses

Eminem – Lose Yourself

Aqueles 3 meses começaram faz hoje 2 anos. No dia 6 de Fevereiro de 2008 recebi o telefonema do editor de fotografia do Público (ou foi do Miguel Madeira?), Daniel Rocha, a anunciar que dia 8 começava o estágio e foi no dia 7 que comecei o meu diário de bordo daqueles que viriam a ser 3 dos melhores meses da minha vida.

Lembro-me de idealizar bastante sobre o que aí viria e o que poderia vir depois disso. Nada veio a acontecer como eu esperava em termos de futuro. No entanto, mesmo sem haver estágios perfeitos, sei que neste país não poderia ter estagiado em melhor lugar. Como ouvi o agora editor de fotografia do mesmo jornal dizer recentemente: “há muitos gajos que davam uma perna para poder estar neste lugar”. Ele tem razão, eu próprio dava para voltar a ter mais 3 meses daquilo.

Durante o estágio fui-me queixando várias vezes das horas e dias em que ficava na mina sem ter trabalho para fazer e num dos posts em que o expressei ele voltou a dizer algo muito acertado: “… e, eh bom de ver, ha muitos dias em que nao se faz muito. e outros em que se faz demasiado. e ha-de haver dias em que fica horas parado, mas em vez de ser ah frente de um computador, com cafeh mesmo ao lado, serah ah porta de uma cadeia, ou de um tribunal. e ateh vai chover a cantaros. e, depois dessas cinco ou seis horas em que nao sai do lugar, vai ver sair um carro a alta velocidade, e trata de fazer a foto. ou nao.

ou ateh pode ser no futebol, ou noutro lado qualquer.
parece parvo, e provavelmente ateh eh, mas ainda eh capaz de vir a ter saudades destes dias em que nao se faz grande coisa…”. Tenho saudades, muitas até, porque apesar de não fazer nada estava lá, rodeado dos melhores profissionais naquilo que fazem, e fazem-no muito bem e como poucos o fazem.

Tenho saudades de estar à seca, de andar a fotografar garrafas de vinho e embalagens de sal num estúdio improvisado, de levar na cabeça, de não saber a que horas ía almoçar ou jantar (por vezes ambos), de fazer maratonas a gravar DVDs, de ir p’ra varanda e observar aquela rua sempre com trânsito, de ir almoçar ao Pingo Doce com os “mestres”, de ir almoçar francesinha com o “mestre”, de não saber o que ía fotografar no dia seguinte ou se ía fotografar sequer, das pessoas mais ou menos interessantes que ía conhecendo, de fotografar com uma grande-angular, de fotografar concertos, de fotografar fora de Lisboa em serviço, de parar e almoçar no caminho, de ter reconhecimento quando fazia um bom trabalho mesmo que fossem fotos de arquivo, de aprender, das pessoas da secção de Fotografia, da mina, de ganhar 150€ por mês e nem sequer me importar com isso porque até o faria de borla e continuaria contente, da profissão, daqueles 3 meses de 2008.

Não tenho saudades nem me agrada levar na cabeça cada vez que vou de visita por continuar sem estar a fotografar e me darem exemplos de pessoas que alegadamente fotografam pior que eu e se “safaram”. Apesar de terem razão em me dar na cabeça e eu reconhecer isso, reconhecer que nada tenho feito para essa situação se alterar, continuo a não gostar.

Talvez um dia acorde de vez e faça algo para alterar isso, talvez um dia tente, a sério. Ando a precisar de acordar para tudo mas está complicado.

Ficam aqui algumas das fotografias que fiz durante o estágio, aquelas de que gostei mais. Curiosamente não estão incluídas as duas com que fiz capas no Público. Como fotos não são boas, na minha opinião, apesar de marcarem o “acontecimento”.

Comecei por fotografar carros nos 1ºs dias de estágio. Depois de fotografar este carro, e quando ía a caminho do jornal, fui perseguido por uma mota da PSP que acabou por me mandar parar em plena Av. da Liberdade. Nunca me disse porque me mandou parar. Longa história.

Arquivo durante a visita a pé e de comboio ao remodelado Túnel do Rossio.

No túnel.

No comboio.

A acompanhar a Ronda dos 4 Caminhos numa ida a Mértola. 1ª reportagem para o Y.

Com a Ronda dos 4 Caminhos e as Adufeiras de Monsanto em Monsanto para a mesma reportagem.

Uma das minhas favoritas. Demolições e novas construções na marginal da Costa da Caparica integradas no Programa Pólis.

A 1ª grande manifestação dos professores, apelidada de “Marcha da Indignação”.

Foi uma altura em que as manifestações me calhavam quase todas a mim. Esta da Administração Local.

Esta foi a 1ª vez que entrei no estádio da minha equipa, 1ª e última até agora, e logo para fotografar um jogo da Taça UEFA contra o Bolton. O Sporting ganhou e eu gostei muito da experiência.

Reportagem com o Vitória de Setúbal aquando da 1ª final da Taça da Liga contra o Sporting.

Alicia Keys no Pavilhão Atlântico. Um concerto com luz decente e o 1º que fotografei a sério.

Um hotel para animais em Tires onde existe um programa de fisioterapia para cães. Gostei bastante de fazer este trabalho que só tive a sorte de poder fazer por me voluntariar para ir trabalhar num Sábado/feriado de manhã.

Escritora Esther Perel no Bairro Alto Hotel enquanto era entrevistada. Entrevistas era o pão nosso de cada dia.

Musicbox para o Fugas.

Ensaio geral da ópera “Os Contos de Hoffman” de Offenbach no Teatro Nacional de São Carlos. Gostei da experiência.

Esta foi a publicada.

Outra das minhas favoritas. Peça “Onde Vamos Morar?” de José Maria Vieira Mendes e encenada por Jorge Silva Melo no Convento das Mónicas.

Reportagem sobre o Barreiro para a Pública. Foram 3 dias bem passados a conhecer a minha cidade.

O trabalho que mais gostei de fazer e que o Nuno Santos ficou com pena de não lhe ter calhado a ele: Os ciganos nómadas a viver no Porto Alto e na Marinha Grande. Deu boas fotos.

Fernando Branco, jovem campeão pasteleiro da Pastelaria Tico Tico, no Barreiro. Também para a Pública.

Lisa Phillipas, directora do New Museum de Nova Iorque, fotografada em Alcoitão. Feia que nem uma porta mas alinhou nesta ideia de aproveitar os espelhos no tecto.

Maxime para o Fugas. Neste dia actuava José Cid. Não esperei para ver.

Outra das minhas favoritas. Fotografia de arquivo da Sede da Agência Europeia de Seguranca Marítima no Cais do Sodré.

Pianista João Paulo Esteves da Silva também alinhou na ideia de fazer algo diferente e engraçado.

Joao Falcato,  administrador do Oceanário. A foto não é grande coisa, tem muito ruído e ficou com umas cores estranhas mas.. tem lá o tubarão. Foto publicada no suplemento de Economia.

Último serviço no último dia de estágio, 8 de Maio de 2008. Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha.

Assim se passaram 3 meses no melhor jornal português.

Lisboa, Mértola, Monsanto, Costa da Caparica, Setúbal, Tires, Barreiro, Porto Alto, Marinha Grande, Alcoitão e Caldas da Rainha, Fevereiro, Março, Abril e Maio de 2008.

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Cat Power – The Greatest

Parabéns, Avó.

Fotografia feita no dia em que saiu do hospital depois de estar internada durante 1 mês.

Barreiro, Janeiro 2010.

última vez

Dashboard Confessional – For You To Notice

No dia 15 de Fevereiro faz 1 ano que, pela última vez, nos sentámos  juntos a uma mesa e falámos. Esse foi o nosso último dia como “amigos”.

Por mais que tente (ou talvez não tenha tentado sequer) não consigo ultrapassar esta fase. O facto de que todos os dias penso que naquele dia foi provavelmente o último em que estivemos juntos e que tal não volte nunca a acontecer não tem ajudado.

Não era isto que eu queria. Não é isto que eu quero. Se ao menos quiséssemos ambos o mesmo. E se ao menos eu não estivesse constantemente a escrever estas coisas para o boneco e que tu as lesses.

Ontem (ou antes) deu-me uma saudade enorme de Sesimbra. Esta é outra coisa que me chateia: todos os sítios e alturas de que tenho saudades envolvem-te a ti também porque sempre lá estiveste, comigo. Sei que se algum dia voltar a esses lugares com outra pessoa vai ser sempre de ti que me vou lembrar. Isso de certo modo chateia-me porque sei que não os vou visitar novamente contigo mas que também não os irei visitar em “sossego” com outra pessoa. Foda-se. Porque é que tinhas de ser tão importante e me marcar tanto?

Lisboa e Sesimbra, Janeiro e Fevereiro de 2008.

photo do dia – # 11

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The XX – Intro

Almada, Janeiro 2010.

s. pedro: a vingança

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AFI – Death of Seasons

Numa tarde chuvosa, em pleno Inverno e de folga, decide-se ainda assim sair de casa.

O resultado é o seguinte.

Através da janela do barco, a caminho de Lisboa e já a chover, adivinhava-se o dia que ía estar.

Já no Cais do Sodré.

No autocarro. A nitidez que esta camera alcança em macro é brutal.

Já na exposição do Korda, aquela que não vale a pena ir ver.

Finda a visita à exposição decidimos aventurar-nos no temporal, junto ao rio.

Um Lounge espelhado.

Corajoso. Mais corajosos só os 3 ou 4 que passaram por nós a correr, um deles de t-shirt.

Depois da molha que apanhámos decidimos que a pala do Centro de Congressos de Lisboa era um óptimo refúgio para tentar secar, tentar.

Helder Olino.

Regressámos então de autocarro ao Chiado para uma ida ao McDonald’s.

E a tarde acabou com esta foto, um guarda-chuva no chão junto à estação dos barcos.

Barreiro e Lisboa, Janeiro 2010.

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